Fernanda Guimarães - VIVÊNCIAS




É momento do recolher das conchas,
O mar, sacudido pelo frêmito das ondas,
Abraça atrevido
O cheiro dos corpos que em suas águas tremeram...

É momento de guardar soluços,
Que ressoam nas lágrimas da marés,
Enquanto um lenço bordado de saudade
Repousa esquecido no cais...

É momento de deixar o olhar à deriva,
A tristeza a secar-se no colo do sol,
Ainda que no silêncio dos lábios
As palavras cristalizem-se sem ar...

É momento da memória em vigília,
Ardendo sob o sal da espera...
Segredos entrelaçados em dedos mudos
Acalentando a espuma das horas...

É momento de modificar rotas,
Como o vento, a desalinhar margens,
Enquanto erma, a paisagem se fecha,
Lambendo os passos já sepultados...

É momento de baixar âncoras,
E contemplar a curva do tempo,
Até que, arrebatada do peito,
A dor caia em sono profundo...!